INÍCIO | PROFISSIONAIS | ECONOMIA DA SAÚDE | O QUE SIGNIFICA RENTABILIDADE OU RELAÇÃO CUSTO-EFECTIVIDADE?

Economia da saúde

  1. O que significa rentabilidade ou relação custo-efectividade?

Com frequência, os resultados positivos no ponto de vista da economia da saúde qualificam-se de “rentáveis”. Embora este não seja o sentido estrito de rentabilidade, porque na verdade esta designação se refere a um tipo de análise económica, com frequência diz-se que um produto é “rentável” quando se quer expressar que usar um produto num paciente durante um determinado período de tempo é mais barato que utilizar outro (não se tem em conta os resultados clínicos).

Os resultados clínicos positivos ou como alguns diriam, a “rentabilidade” nos cuidados de saúde consistem em garantir que os recursos disponíveis se utilizem de forma mais eficiente para melhorar o tratamento dos pacientes. Na prática, isto poderia significar:

 

Alcançar o melhor resultado clínico possível para uma determinada despesa.

  • Atingir um determinado resultado com o menor custo
  •  

  • Os resultados clínicos no âmbito do tratamento de feridas incluem (entre outros) a cicatrização da ferida, a ausência da dor, a ausência da infecção, a melhoria da mobilidade, etc.

    Os custos deveriam incluir o custo total do tratamento do paciente, não apenas um componente do tratamento (como as ligaduras, por exemplo). Os custos podem ser divididos em três grupos:

    • Custos directos: referem-se à utilização dos recursos de saúde e podem ser profissionais de saúde (por exemplo, os salários dos médicos ou enfermeiros) ou não médicos (por exemplo, o custo de transporte do paciente de casa ao hospital).
    • Custos indirectos: os custos indirectos estão associados com as ausências laborais, anos de vida perdidos, devido a não receber uma intervenção antes, etc.
    • Custos intangíveis: tratam-se de custos muito difíceis de medir em termos monetários, mas por vezes podem ser calculados utilizando técnicas de medição da qualidade de vida. Referem-se a factores como a dor, o desconforto ou mal-estar sofrido tanto pelos pacientes como os seus familiares e os seus prestadores de cuidados de saúde

    Idealmente, uma análise da economia da saúde levaria em conta todos os custos. No entanto, dadas as dificuldades que existem na recolha dos custos intangíveis e indirectos, a maioria dos estudos publicados inclui apenas os custos directos.

    Quando se desenvolve um estudo económico para que seja relevante, também é muito importante decidir o ponto de vista de que se vai realizar a análise:

    • Perspectiva do serviço de saúde/pagador: só se tem em conta os custos directos para o serviço de saúde.
    • Prestador de serviços de saúde: custos variáveis que afectam os gastos da prestação de cuidados de saúde.
    • Ponto de vista da sociedade: inclui os custos indirectos, como as perdas de produtividade.
    • Paciente: gastos suportados pelo paciente (por exemplo, pagamento de dispositivos médicos e medicamentos).

    Embora a perspectiva social ofereça uma perspectiva mais ampla, é com muita frequência a preferida pelos economistas e por algumas pessoas responsáveis pela tomada de decisões e analistas. Os prestadores e pagadores de serviços de saúde têm muitas vezes orçamentos limitados, de modo que se concentram principalmente sobre todos os custos e benefícios que afectam directamente os seus orçamentos.

    Também de destacar que, embora um tratamento seja considerado rentável, quem deve pagar, nem sempre pode pagar. É possível que um produto seja rentável, mas que não seja possível adquiri-lo devido aos ciclos orçamentais, problemas de fluxo de caixa, etc. Por exemplo, uma nova terapêutica que ofereça melhores benefícios clínicos que a prática actual, mas que também exija um maior investimento inicial, pode não ser viável do ponto de vista económico para um serviço de cuidados de longa duração de pequena dimensão e com orçamentos muito limitados.

    PREÇO do produto vs CUSTO do tratamento

    Na nossa sociedade é habitual comparar produtos com base unicamente no preço. No entanto, este poderá ser um ponto de vista tendencioso. Para avaliar realmente o perfil económico de um produto, para além do seu preço de compra (preço real pago para ter o produto em nosso poder), deve-se também ter em conta todos os outros custos associados com a utilização do produto (como o custo das visitas domiciliárias de enfermagem, o custo de todos os consumíveis, o custo das visitas às consultas, etc.).

    Na verdade, o preço de compra dos dispositivos médicos representa numa percentagem mínima do custo total da prestação de cuidados a um paciente. Muitos estudos têm demonstrado que o preço de compra dos dispositivos médicos representa apenas 5%-10% do custo total da prestação de cuidados a um paciente (ver gráfico). A influência dos produtos no tempo dos profissionais de saúde e na duração do tratamento é muito mais importante.

    Custo total da utilização de um produto

    PREÇO do produto vs CUSTO do tratamento

 

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